10 de julho de 2008

30% das gestações terminam em aborto...e ninguém vai fazer nada??

gravida
A advogada e conselheira do Núcleo de Pesquisa sobre a Mulher e Relações Sociais de Gênero - NEMGE USP, Adriana Gragnani, explica que "pesquisas indicam que são realizados, anualmente, mais de 750 mil abortos em condições inseguras. Complicações acarretadas pelo aborto clandestino são a quarta causa de mortalidade materna no país. Além disso, cerca de 250 mil mulheres são internadas a cada ano no SUS (Sistema Único de Saúde) por complicações de aborto e, dessas mulheres, a maioria é negra, jovem e pobre".
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara rejeitou nesta quarta-feira o projeto de lei que descriminaliza o aborto (projeto de lei 1135, de 1991). Como já vinha se afigurando no horizonte, os parlamentares contrários à descriminalização conseguiram maioria para aprovar o relatório do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da CCJ, para quem o projeto é inconstitucional, baseado no artigo 5 da Constituição Federal, que garante o direito da inviolabilidade da vida.
Ou seja, eu continuo sem minha liberdade de escolha sobre o meu próprio corpo.
A hipocrisia e os preceitos religiosos não deixam alguns políticos enxergar as 20 milhões de mulheres que fazem aborto por ano (dados da OMS), e esquecem que esse não é um problema religioso, é uma questão de saúde pública.
Em vez disso deveriam aprovar uma lei que garanta assistência médica à mulher (precisa de uma lei para isso??), programas de planejamento familiar...e pós-parto, pois uma das maiores causas das mulheres recorrerem aos açougues de fundo de quintal e aos remédios sem prescrição médica é a certeza de que não terão condições ideais para cuidar de seus filhos.
O planejamento familiar diminuiria o número de pobres e miseráveis por exemplo. E a quantidade de crianças deformidade uterina que aparecem nos programas populares do meio dia... a causa dessas deformidades não seria em parte pela ingestão indevida de remédios abortivos?? Dados da OMS tambem dizem que mais de 30% das gestações no país terminam em aborto.
Dos presentes, apenas quatro votaram contra a rejeição do relatório: os petistas José Eduardo Cardozo (SP), José Genoino (SP) e Eduardo Valverde (RO), além de Régis de Oliveira (PSC-SP).
Lembrem-se: é ano de eleição. O bom eleitor é aquele que acompanha os passos de seus representantes, em quais projetos ele vota a favor, ou contra, e decide se ele deve ou não representá-lo.

2 Comentários

Beth Cruz disse...

Concordo com você.
Vivemos em uma sociedade hipócrita que não respeita idéias divergentes de uma classe que insiste em ditar normas de conduta a sociedade.
A melhor forma de conscientizar uma sociedade e tratar seus cidadãos com respeito, para isso é necessário que cada um seja capaz de tomar suas próprias decisões. O aborto é uma realidade que devemos encarar de frente, sem máscaras ou preconceitos religiosos.
Muito boa suas colocações,
abraço

Cacau disse...

Bem colocado, Jacy.

Votar em favor do aborto não é obrigar mulher alguma a fazê-lo. As que são contra podem continuar a ser.

A diferença é que, com a legalização do aborto, é oferecida às demais a chance de interromper a gravidez de forma segura. Questão de saúde e de justiça

Beijo linda.

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